COMO A REDE FUNCIONA?
O funcionamento da Rede é horizontal e descentralizado e está baseado na organização das famílias produtoras em grupos informais, associações ou cooperativas. Estas organizações se articulam com associações ou cooperativas de consumidores, ONGs e outras instituições e formam um Núcleo Regional, circunscrito a determinada área geográfica. Cada Núcleo tem uma coordenação com uma tarefa de animação e gestão. A soma dos diferentes núcleos (nos estados do RS, SC e PR) formam a Rede Ecovida de Agroecologia. A Rede também possui uma coordenação composta por representantes dos estados que além da função animadora, também possui uma função deliberativa.

Cada uma dessas esferas possui fóruns específicos para deliberação e tomadas de decisões, sendo eles: Reuniões dos grupos, plenárias de núcleos, plenárias estaduais, plenária geral e Encontro Ampliado (espaço maior de encontro dos membros da Rede e que se realiza a cada 2 anos).

 

CERTIFICAÇÃO PARTICIPATIVA
No âmbito da Rede Ecovida de Agroecologia, a certificação tem sido trabalhada como um processo pedagógico onde agricultores, técnicos e consumidores se integram no intento de buscarem uma expressão pública da qualidade do trabalho que desenvolvem. A este processo chamamos certificação participativa.

Denominamos de Certificação Participativa o processo de geração de credibilidade que pressupõe a participação solidária de todos os segmentos interessados em assegurar a qualidade do produto final e do processo de produção. Este processo resulta de uma dinâmica social que surge a partir da integração entre os envolvidos com a produção, consumo e divulgação dos produtos a serem certificados.

No caso da Rede Ecovida de Agroecologia a Certificação Participativa se dá em torno do Produto Orgânico e a credibilidade é gerada a partir da seriedade conferida à todo o processo, partindo da palavra da família agricultora e se legitimando socialmente, de forma acumulativa, nas distintas instâncias organizativas que esta família integra.

 

HISTÓRICO DA REDE10987344_878200748886085_7313477992855075133_n
A Rede Ecovida se concretiza basicamente a partir de uma identidade e reconhecimento histórico entre as iniciativas de ONGs e organizações de agricultores construídas na região Sul do Brasil. Sua formação oficial data de 1998, como resultado da articulação iniciada anos antes por essas entidades. Atualmente conta com 27 núcleos regionais, abrangendo cerca de 352 municípios. Seu trabalho congrega, aproximadamente, 340 grupos de agricultores (abrangendo cerca de 4.500 famílias envolvidas) e 20 ONGs. Em toda a área de atuação da Ecovida acontecem mais de 120 feiras livres ecológicas e ainda outras formas de comercialização.

A Rede Ecovida tem como missão:

. Garantir a identidade popular e transformadora na continuidade da construção histórica da agroecologia, contemplando aspectos ambientais, sociais, econômicos e  culturais;
. Responder de forma coletiva e propositiva a desafios concretos, às questões políticas, técnicas e outras, no cenário local, regional, nacional e internacional;
. Desenvolver e multiplicar as iniciativas agroecologicas;
. Propiciar espaços de formação e elaborar material na área da agroecologia e educação no campo;
. Fomentar o intercâmbio, o resgate e a valorização do saber popular;
. Reconhecer e respaldar mutuamente as famílias, grupos, associações, organizações e entidades articuladas;
. Organizar em rede seus membros, sem hierarquias e sob orientação de princípios e objetivos definidos e assumidos coletivamente;
. Assumir uma marca-selo que simbolize a identidade e proposta da Rede;
. Continuar a construção da geração de credibilidade compartilhada e avaliação da conformidade participativa e sob controle social (certificação participativa);
. Adotar selo da avaliação da conformidade próprio;
. Aproximar de forma solidária famílias de trabalhadores(as) do campo e da cidade;
. Fortalecer o espírito da cooperação e incentivar o associativismo na produção, distribuição e consumo de produtos agroecológicos;
. Construir e articular políticas públicas afins;
. Lutar pela segurança e soberania alimentar, contra os transgênicos e contra a apropriação privada da vida, das sementes e dos bens comuns;
. Ser parte nas lutas amplas de transformação social junto aos demais Movimentos Sociais, para uma sociedade justa e igualitária, ambientalmente sustentável e economicamente viável para todos.

Baseia-se nos princípios de:

. Articulação na recuperação e conservação da vida no planeta Terra.
. Contribuição na construção da sustentabilidade junto ao desenvolvimento. Priorizando a qualidade de vida com alimentos de qualidade, educação, saúde, lazer e cultura;
. Ter a agroecologia como base para a sustentabilidade do desenvolvimento;
. Articulação organizada em rede, sem hierarquias nas condições, papéis e funções;
. Preservação das particularidades locais e/ou regionais no seu processo organizacional;
. Ser parte ou atuar junto à agricultura familiar, camponesa e famílias de trabalhadores urbanos.
. Fortalecimento das relações de economia popular solidária na Rede e a articulação junto à outros espaços e formas de mercado justo e solidário.
. Priorização da relação direta com os consumidores(as), o abastecimento local e regional, com perspectivas à segurança e soberania alimentar;
. Oposição a qualquer forma de exploração ou opressão seja econômica, política, social, de gênero ou geração.